Rio de Janeiro / RJ - domingo, 20 de agosto de 2017

Citoquimica

Hoje em dia a citoquímica está se tornando uma ferramenta cada vez menos utilizada no diagnóstico de leucemias.

Deixo aqui como numa homenagem, as técnicas que tanto nos ajudaram a conduzir os diagnósticos e nortear os tratamentos.

Aos meus mestres : Dr Brito Lyra, Dr Hildebrando Monteiro Marinho,Dr Luiz Franco e Dr Paulo da Costa Martins.

 

 

 

CITOQUÍMICA

 

Para a maior parte dos hematologistas, patologistas, oncologistas e citologistas, o exame do Sangue Periférico e Medula Óssea corados com colorações usuais (Wrigt, May Grunwald Giemsa) constituem a base para o diagnóstico de leucemia.

Em leucemias crônicas é fácil distinguir um tipo de outro, mas nas agudas torna- se mais difícil.

Nesses casos, a coloração citoquímica torna-se uma ferramenta de ajuda.

Quando aplicada às células sangüíneas, elas demonstram propriedades únicas encontradas em um tipo de célula, mas não em outro.

Assim, a citoquímica amplifica o estudo da morfologia convencional das células.

 

Este estudo é feito em aspirados de Medula Óssea , podendo também ser feito em esfregaços de Sangue Periférico, ambos recentes (menos de 48 horas) e sem uso e anticoagulantes (sangue ou medula com esfregaço direto na lâmina).

Os métodos de coloração disponíveis em nosso setor, com suas indicações são descritos a seguir:

 

FERRO MEDULAR

 

A pesquisa de ferro medular constitui um método simples e valioso para a avaliação das reservas orgânicas de Ferro, no diagnóstico diferencial das anemias.

O resultado pode ser negativo, na ausência de estoques de ferro- é descrito em cruzes (o máximo 4+).

Nas anemias hereditárias, o ferro medular costuma estar aumentado.

Nas mielodisplasias do tipo “sideroblastos em anel”, o depósito de ferro apresenta- se com disposição justanuclear dos eritroblastos, “em anel”.

Nas anemias das doenças crônicas, o ferro medular também costuma estar aumentado, pelo distúrbio no aproveitamento do mesmo das células medulares.

 

PEROXIDASE

 

É uma coloração importante para diferenciar a leucemia mielóide aguda(LMA) da leucemia linfóide aguda (LLA).

Está acentuadamente positiva na LMA, subtipo M3 (promielocítica), menos positiva na LMA subtipo M2 (mielocítica com diferenciação) e menos ainda na M1 (mielocítica com diferenciação).

 

PAS

 

É uma coloração citoquímica padrão na diferenciação das leucemias linfoblásticas agudas, se bem que nem todos se apresentam positivas. O tipo de reação característico é a disposição granular (“PAS em bloco”).

 

FOSFATASE ÁCIDA

 

Em mais de 1/3 dos casos de leucemia linfóide aguda do tipo T, apresenta um positividade do tipo focal.

 

FOSFATASE ACIDA TARTARATO RESISTENTE

 

Sua positividade é típica das leucemias de células cabeludas (tricoleucemia).

 

FOSFATASE ALCALINA DOS LEUCÓCITOS

 

Este método citoquímico é empregado no diagnóstico diferencial da leucemia mielóide crônica de outras síndromes mieloproliferativas ou de reações leucemóides.

Ainda na leucemia mielóide crônica, à medida que há evolução da doença para a fase acelerada, a fosfatase alcalina que anteriormente era zero passa a ficar aumentada.

 

ALFA NAFTIL ACETATO ESTERASE

 

Esta coloração é empregada quando se tem dúvida diagnóstica quanto à morfologia de leucemia mielóide aguda, uma vez que apresenta forte positividade nas leucemias monocíticas, megacariocíticas e eritroleucemia.